Segundo
o censo do IBGE, do ano 2000, os negros representam quase a metade da
população brasileira, com 45% (5% de pretos e 40% de pardos). Desde o
período do Império, a discriminação provoca danos às pessoas dessa raça.
No futebol, o preconceito racial já foi mais acentuado no Brasil,
apesar de tempos em tempos acontecerem alguns casos.
O
futebol em seu início no Brasil era da elite e rigorosamente amador.
Criado por membros da alta sociedade carioca, o Fluminense foi o
primeiro clube a mostrar preconceito racial, no começo do século
passado. Tanto é, que um jogador, contratado junto ao América pelo
Tricolor, um mulato chamado Carlos Alberto, antes de entrar em campo,
cobria o rosto com pó-de-arroz para tentar disfarçar sua cor e não ficar
constrangido pelos adversários e pelos próprios freqüentadores
abastados do Flu. O problema é que o suor eliminava a artimanha do
jogador, revelando sua cor. Por conta desse episódio a torcida
adversária apelidou o time das Laranjeiras de pó-de-arroz que,
posteriormente, acabou sendo incorporado por sua própria torcida.
No
futebol dos dias de hoje, os casos de racismo estão crescendo e o mundo
inteiro acompanha o que acontece nos campos de futebol da Europa. Um
exemplo foram as lamentáveis cenas protagonizadas por torcedores do time
italiano da Lazio, que jogava contra o Dínamo de Bucareste, no último
mês de agosto, em Roma, numa partida válida pela fase classificatória da
Lida dos Campeões. Por conta das agressões e atos racistas contra os
visitantes, a Uefa abriu inquérito para averiguar tais incidentes.
Em
pleno século 21, é inconcebível que as autoridades de alguns países
europeus não tomem medidas mais enérgicas para dar um basta nesta
lamentável situação. Na Alemanha, por exemplo, não é difícil nos
depararmos com grupos neo-nazistas. A Espanha também não ficou incólume
às ações dos racistas.
Ano
passado, uma das principais organizações anti-racismo daquele país, a
Coalizão Espanhola Contra o Racismo, pediu para que os jogadores
atrasassem o início de uma das rodadas do campeonato local, como parte
de um protesto por medidas mais severas contra o racismo no futebol do
país. O pedido aconteceu depois do atacante camaronês do Barcelona,
Samuel Eto'o, ter ameaçado deixar o campo durante o jogo contra o Real
Zaragoza, por causa de ofensas racistas por parte da torcida da casa.
Nós,
brasileiros, pertencemos a um país livre, que hoje tenta alcançar uma
posição de destaque no cenário internacional, graças à força de seu
povo, formado por imigrantes portugueses, italianos, sírios, libaneses,
japoneses, coreanos e outros que se juntaram a pretos, índios e todas as
demais raças e religiões que convivem pacificamente nesta grande nação.
Por
isso, não podemos aceitar que o racismo se firme como uma cultura do
país, nem mesmo no futebol, onde este tipo de ato parece não ter a mesma
importância que em outros segmentos da sociedade. Sabemos que é uma
tarefa complexa, mas ainda não atingimos o grau de imbecilidade
verificada na Europa. Nossa tarefa, enquanto cidadãos e amantes do
futebol é brecarmos quaisquer ações dessa natureza. Para o bem o
futebol. Para o bem do Brasil.
Fonte:http://www.universidadedofutebol.com.br/Jornal/Colunas/Detalhe.aspx?id=7442
Fonte:http://www.universidadedofutebol.com.br/Jornal/Colunas/Detalhe.aspx?id=7442
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