sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Preconceito Racial no Futebol


Segundo o censo do IBGE, do ano 2000, os negros representam quase a metade da população brasileira, com 45% (5% de pretos e 40% de pardos). Desde o período do Império, a discriminação provoca danos às pessoas dessa raça. No futebol, o preconceito racial já foi mais acentuado no Brasil, apesar de tempos em tempos acontecerem alguns casos.
O futebol em seu início no Brasil era da elite e rigorosamente amador. Criado por membros da alta sociedade carioca, o Fluminense foi o primeiro clube a mostrar preconceito racial, no começo do século passado. Tanto é, que um jogador, contratado junto ao América pelo Tricolor, um mulato chamado Carlos Alberto, antes de entrar em campo, cobria o rosto com pó-de-arroz para tentar disfarçar sua cor e não ficar constrangido pelos adversários e pelos próprios freqüentadores abastados do Flu. O problema é que o suor eliminava a artimanha do jogador, revelando sua cor. Por conta desse episódio a torcida adversária apelidou o time das Laranjeiras de pó-de-arroz que, posteriormente, acabou sendo incorporado por sua própria torcida.
No futebol dos dias de hoje, os casos de racismo estão crescendo e o mundo inteiro acompanha o que acontece nos campos de futebol da Europa. Um exemplo foram as lamentáveis cenas protagonizadas por torcedores do time italiano da Lazio, que jogava contra o Dínamo de Bucareste, no último mês de agosto, em Roma, numa partida válida pela fase classificatória da Lida dos Campeões. Por conta das agressões e atos racistas contra os visitantes, a Uefa abriu inquérito para averiguar tais incidentes.
Em pleno século 21, é inconcebível que as autoridades de alguns países europeus não tomem medidas mais enérgicas para dar um basta nesta lamentável situação. Na Alemanha, por exemplo, não é difícil nos depararmos com grupos neo-nazistas. A Espanha também não ficou incólume às ações dos racistas.
Ano passado, uma das principais organizações anti-racismo daquele país, a Coalizão Espanhola Contra o Racismo, pediu para que os jogadores atrasassem o início de uma das rodadas do campeonato local, como parte de um protesto por medidas mais severas contra o racismo no futebol do país. O pedido aconteceu depois do atacante camaronês do Barcelona, Samuel Eto'o, ter ameaçado deixar o campo durante o jogo contra o Real Zaragoza, por causa de ofensas racistas por parte da torcida da casa.
Nós, brasileiros, pertencemos a um país livre, que hoje tenta alcançar uma posição de destaque no cenário internacional, graças à força de seu povo, formado por imigrantes portugueses, italianos, sírios, libaneses, japoneses, coreanos e outros que se juntaram a pretos, índios e todas as demais raças e religiões que convivem pacificamente nesta grande nação.
Por isso, não podemos aceitar que o racismo se firme como uma cultura do país, nem mesmo no futebol, onde este tipo de ato parece não ter a mesma importância que em outros segmentos da sociedade. Sabemos que é uma tarefa complexa, mas ainda não atingimos o grau de imbecilidade verificada na Europa. Nossa tarefa, enquanto cidadãos e amantes do futebol é brecarmos quaisquer ações dessa natureza. Para o bem o futebol. Para o bem do Brasil.
                                                                Fonte:http://www.universidadedofutebol.com.br/Jornal/Colunas/Detalhe.aspx?id=7442

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