A psicóloga especialista em Envelhecimento Humano, Ana Cristina Cabral, aponta que as mudanças sociais, econômicas, culturais e educacionais possibilitaram o envelhecimento saudável que está acontecendo hoje. "A quebra de paradigmas (doenças) possibilitou a convivência dos idosos com pessoas de outras idades. Nos dias de hoje, eles podem sonhar e realizar o que desejam" afirma a especialista.
Mas nem sempre foi assim. Os idosos começaram a viver mais depois das melhorias ambientais, porém ainda precisavam de estrutura, incluindo mudanças comportamentais para viver melhor. Estudos revelavam que as cidades brasileiras não estavam preparadas para os idosos: na década de 90, os idosos tradicionalmente iam a supermercados, jogavam cartas, cuidavam de netos, frequentavam festas de família e até bordavam. Mas isso era antes. Com o passar do tempo, os idosos perderam um pouco de espaço e atividades de casa.
E eles precisavam de mais. Agora, as mudanças sociais começavam a acontecer em paralelo ao aumento da longevidade e o estado precisa construir novos projetos sociais voltados para eles. A melhoria nas condições de vida dos idosos, através da drenagem e pavimentação das ruas e as melhorias nos cuidados desde o nascer, o viver, os cuidados com a alimentação, orientação nutricional e os exercícios, planos de saúde, remédios e atendimento médico proporcionaram o aumento dos idosos no Brasil.
As mudanças estruturais que deram mobilidade aos idosos, como as calçadas, o saneamento e as habitações contribuíram para a mudança. "Os espaços, as praças estão sendo refeitas, com locais comunitários para que eles deixem de ficar em casa e convivam com outros idosos", explica Ana.
Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2008, aponta que a população de idosos equivale à quantidade de crianças e que o envelhecimento saudável acontece por causa das melhores condições de vida e moradia, saúde e higiene.
Sobre a convivência dos idosos com pessoas de outras idades, a pesquisa apresenta o seguinte painel: as moradias são inter-geracionais, com crianças, adolescentes e jovens (0-24 anos), adultos (25-59 anos), idosos (60-79 anos) e idosos maiores de 79 anos numa mesma casa. "Por isso é preciso mudar comportamentos para se ter uma boa convivência", lembra Ana Cristina.
Os estudos estimam que no Brasil, em 2050, os idosos representem 25% da população. Em outras palavras, 1 em cada 10 pessoas terá mais de 65 anos.
É importante se discutir e planejar o futuro dos idosos. "As três maiores causas de mortes dos idosos são gripes, quedas e tristezas, causadas pela falta de atividades" explica Ana Cristina.
Para melhorar as condições de vida das pessoas dessa faixa etária, o governo federal começou a instituir programas para terceira idade. No Rio Grande do Norte, foi criada há 15 anos a Universidade Aberta para a Terceira Idade (UnATI), com 1.400 alunos matriculados em cursos de hidroginástica, memorização, idiomas, arte e artesanato, canto, teatro e música. "O idosos podem aproveitar os potenciais que sempre tiveram. É preciso que a sociedade entenda que eles não têm necessidades especiais, eles têm necessidades especificas da fase deles, como as grávidas, por exemplo", justifica Ana Cristina.
No Brasil, são consideradas idosas pessoas com mais de 60 anos e no mundo, adultos com mais de 75 anos. Para reforçar as estatísticas de crescimento populacional de idosos, o IBGE apresenta a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), que informa que a população de idosos corresponde a 9,4 milhões no Sudeste (sendo São Paulo a cidade com maior número de idosos no Brasil) e 5,1 milhões de idosos no Nordeste, a segunda região com maior população de idosos.
A explicação para esses dados é a migração inversa. "Antes as pessoas migravam para o trabalho no Sudeste e agora a migração inversa ocorre para o descanso dos idosos", conta a especialista em envelhecimento.
Os idosos também são assistidos pelos programas federais como o Programa de Saúde da Família (PSF) e o programa de Agricultura Familiar (Pronaf). "Os idosos do que moram no interior vivem mais porque têm uma melhor qualidade de vida. Eles vão às praças, compram pão e quando trabalham na agricultura produzem até os 80 anos.
Fonte:nominuto.com
Vídeo:Youtube.com
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